As EQMs poderiam ser uma estratégia evolutiva de sobrevivência?

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As EQMs podem ter uma origem e um propósito biológicos, definindo-as na verdade como uma estratégia evolutiva de sobrevivência.

Hoje vamos falar sobre um estudo bem interessante publicado na Revista Brain Communication de julho de 2021, que fala da origem evolutiva das experiências de quase morte e aponta que as famosas EQMs seriam na verdade uma estratégia de sobrevivência.

Para você que ainda não conhece as experiências de quase morte as “EQMs”, essas são conhecidas em todas as partes do mundo, em várias épocas e em várias culturas, o que a fez ter diferentes explicações, as quais em sua maioria são atribuídas ao misticismo e religião. Isso é normal, visto que sempre procuramos respostas sobre coisas “inexplicáveis”. Então, onde mais nos sentimos mais confortáveis para aceitá-las? Com certeza é mais fácil optar por nossas crenças, não é mesmo?

Porém, surgiu uma nova vertente, a qual sugere que as EQMs podem ter uma origem e um propósito biológicos, definindo-as na verdade como uma estratégia evolutiva de sobrevivência.

Um estudo realizado em conjunto por duas universidades europeias (a Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e a Universidade de Liège, na Bélgica), publicado na revista Brain Communications, mostra como as experiências de quase morte em humanos podem ter origem em princípios evolutivos.

“Seguindo um protocolo pré-registrado, investigamos a hipótese de que a tanatose (estratégia de simulação de morte) é a origem evolutiva das experiências de quase morte”, disse Daniel Kondziella, neurologista de Rigshospitalet, Hospital Universitário de Copenhague.

Como um mecanismo de defesa, os animais podem simular a morte para ter mais chances de sobreviver ao serem atacados por um predador, a exemplos do gambá, algumas espécies de codornas, galinha, cobras e também peixes.

Esse comportamento é chamado de tanatose, também conhecido como simulação de morte ou “imobilidade tônica”, ou seja, como estratégia de sobrevivência a tanatose é tão antiga quanto à reação de lutar e fugir.

Semelhanças entre Tenatose e EQMs


Segundo a neuropsicóloga do Coma Science Group Charlotte Martial, da Universidade de Liège, “a tanatose é uma estratégia de sobrevivência altamente preservada que ocorre em todos os pontos de interseção principais em um cladograma (ferramenta gráfica utilizada em estudos filogenéticos) que varia de insetos a peixes, répteis, pássaros e mamíferos, incluindo humanos. Mostramos então que humanos sob ataque de grandes animais, como leões ou ursos-pardos, predadores humanos, como criminosos sexuais, e predadores ‘modernos’, como carros em acidentes de trânsito, podem experimentar tanatose e experiências de quase morte. Além disso, mostramos que a fenomenologia e os efeitos da tanatose e das experiências de quase morte se sobrepõem.”

Tanatose simulação de morte
Existe evidências que sugere que a tanatose é a base evolutiva das experiências de quase morte.

De acordo com Steven Laureys, neurologista e chefe da unidade de pesquisa Giga Consciousness e do Centre du Cerveau da Universidade de Liège, “Neste artigo, construímos uma linha de evidências que sugere que a tanatose é a base evolutiva das experiências de quase morte e que seu propósito biológico compartilhado é o benefício da sobrevivência”.

Os pesquisadores afirmam que um processo evolutivo permitiu aos humanos transformar esses eventos de simulação de morte, quase sempre experimentadas sob ataques predatórios no que hoje conhecemos como Experiências de Quase Morte (EQMs) e se estendem a situações não-predatórias.

Ou seja, o que era uma “simulação” instintiva de “morte” evoluiu para uma experiência instintiva de “quase morte”.

E uma informação importante a ser ressaltada, é “que os mecanismos cerebrais por trás da simulação de morte não são diferentes daqueles que foram sugeridos para induzir experiências de quase morte”, como explica Daniel Kondziella, e acrescentou o seguinte, “isso fortalece ainda mais a ideia de que os mecanismos evolutivos são uma peça importante de informação necessária para desenvolver uma estrutura biológica completa para experiências de quase morte.”

Essa foi a primeira pesquisa a fornecer tais dados com base na filogenética, e “esta também pode ser a primeira vez que podemos atribuir um propósito biológico às experiências de quase morte, o que seria o benefício da sobrevivência”, ressaltou Steven Laureys.

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Independente da espécie, todo ser vivo do planeta foi programado para sobreviver e para a evolução, seja ela comportamental ou biológica, Essa é a base e a prova fundamental dessa afirmação. Embora sempre estejamos à procura de respostas seja na ciência, religião e no misticismo, na maioria das vezes as respostas estão em nós mesmos, na nossa capacidade de evoluir como espécie e principalmente na nossa evolução como indivíduos, pois a base do processo evolutivo é aceitar a nossa necessidade de algo mais e procurar satisfazê-la. Uma grande prova disso é quando você olha para o passado e vê como agia e pensava, e compara com o seu presente. Com certeza existe um grande contraste nessa comparação, e isso é o que eu chamo de evolução.

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